Dúvidas Frequentes

Medo, angústia, terror, pânico e... ansiedade! O que é tudo isso, afinal?

O que é ansiedade? O que são transtornos ansiosos e quais são eles? Quais são as causas dos transtornos de ansiedade e como tratá-los? Essas são dúvidas comuns entre as pessoas que vêm até nós, e este artigo resume de maneira simples e objetiva as respostas que você provavelmente está buscando.

O que é ansiedade?

Dividindo com a depressão o título de "Mal do Século XXI" segundo alguns especialistas, a ansiedade consiste num estado de desconforto emocional caracterizado por inquietude e preocupações persistentes em relação a eventos futuros. Essa experiência psicológica é também acompanhada por sintomas físicos, tais como tontura, náusea e vômitos, indigestão ou diarreia, respiração ofegante, sensação de sufocamento, palpitações, taquicardia, dores de cabeça e abdominais, tremores, fadiga, tensão muscular, rubor na pele, entre outros.

Apesar do desequilíbrio aparente, a ansiedade não é, a priori, uma condição patológica. Ou seja, não se trata de uma doença ou transtorno, e sim de uma reação ou processo fisiológico natural do organismo frente a situações de ameaça eminente, sejam elas à sobrevivência do indivíduo ou à sua condição social. Isso significa que tanto acidentes de carro ou assaltos quanto repreensões no trabalho e desavenças conjugais são exemplos típicos de eventos potencialmente ansiogênicos, isto é, geradores de ansiedade.

O fato é que o nosso organismo está geneticamente "programado" para reagir dessa maneira diante do perigo e, assim, nos mobilizar a resolver os conflitos que nos mantêm nessas situações. Logo, pode-se dizer que sentimos ansiedade porque ela possui uma função adaptativa ou "utilidade" à nossa sobrevivência.

O que são Transtornos de Ansiedade e quais são eles?

Embora a ansiedade desempenhe um papel importante, há casos em que essa emoção se expressa com intensidade e/ou frequência desproporcional às ameaças reais do cotidiano, gerando estorvo desnecessário para algumas pessoas, bem como implicações contrárias à sua função original. Ou seja, ela começa a dificultar a vida ao invés de facilitar a sobrevivência.

É nesse momento que a ansiedade adquire o status patológico e passa a configurar uma queixa digna de intervenção clínica – estamos falando dos chamados "distúrbios" ou "transtornos de ansiedade". Eles atingem aproximadamente 9% da população brasileira, segundo um dado recente da Organização Mundial da Saúde (OMS), e sua prevalência chega a ser duas vezes maior entre as mulheres em comparação com os homens. Dado à especificidade de cada condição, os sintomas ansiosos precisam ser agrupados e, então, subdivididos numa série de quadros nosológicos que estão listados a seguir:

  • Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG): Trata-se de um estado de preocupação excessiva e persistente sobre assuntos diversos do cotidiano sem foco definido durante um período de pelo menos seis meses.
  • Fobias Específicas: Constituem a maior subcategoria entre os transtornos de ansiedade que inclui genericamente todos os casos em que um temor irracional é desencadeado por objetos ou situações específicas levando, logo, à evitação ativa de tais estímulos por parte dos indivíduos fóbicos. Entre as fobias mais comuns podemos citar a aracnofobia (medo de aranhas), a acrofobia (medo de altura) e a claustrofobia (medo de ambientes fechados).
  • Transtorno do Pânico (TP): Caracteriza-se pela tendência a sofrer de ataques breves de terror extremo, apreensão e mal-estar que surgem abruptamente e alcançam a intensidade máxima em menos de cinco ou dez minutos, podendo ser desencadeados por estresse, exercícios físicos ou mesmo sem qualquer causa específica aparente.
  • Agorafobia: Consiste no medo de lugares ou situações nas quais a fuga é difícil, embaraçosa ou em que a ajuda pode estar indisponível, sendo frequentemente acompanhado pelo TP ou resultando numa sequela desse quadro.
  • Transtorno de Ansiedade Social (TAS): Também conhecido como Fobia Social, trata-se do intenso desconforto vivenciado em situações de avaliação ou de mera interação social caracterizado por medo excessivo de constrangimento público e perspectiva de humilhação.
  • Transtorno de Ansiedade de Separação (TASep): Consiste em níveis expressivos de ansiedade experimentados com o afastamento de uma pessoa ou lugar e tende a integrar uma parte do desenvolvimento normal em crianças e bebês, podendo, entretanto, tornar-se persistente além de atingir também a pessoas na idade adulta.
  • Mutismo Seletivo (MS): Mais comum entre crianças tímidas e introvertidas, refere-se ao quadro em que um indivíduo normalmente capaz de falar e de compreender a linguagem se recusa a fazê-lo em situações específicas ou na presença de pessoas específicas ainda que as consequências de seu silêncio incluam vergonha, exclusão social ou até mesmo castigo.
Temos ainda dois quadros específicos que, embora já não façam parte do grupo dos transtornos de ansiedade segundo a quinta edição do manual de diagnóstico (DSM-5) publicado pela Associação Americana de Psiquiatria (APA), continuam agrupados como tal na décima edição da classificação internacional de doenças (CID-10) elaborada pela OMS. São eles:

  • Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC): Caracteriza-se pela existência de pensamentos intrusivos, angustiantes e persistentes que acompanham impulsos ou ritos específicos praticados de maneira repetitiva e incontrolável.
  • Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT): Resulta da exposição a situações ou eventos estressantes de natureza excepcionalmente ameaçadora ou catastrófica e caracteriza-se por sintomas de hipervigilância, revivências traumáticas (flashbacks), isolamento social, perturbações do sono, irritabilidade excessiva e dificuldade de concentração.

Quais são as causas desses transtornos?

Existem muitas evidências que atestam uma participação importante da bagagem genética no desenvolvimento dos transtornos ansiosos. Ainda assim, a hereditariedade por si só não basta para explicá-los.

Como em qualquer outro fenômeno do comportamento humano, a ansiedade e suas respectivas expressões patológicas são de origem multifatorial e dependem de um limiar definido pelas vivências do indivíduo para a deflagração dos sintomas. Sabe-se, por exemplo, que experiências traumáticas na infância e na juventude aumentam a probabilidade de uma pessoa vir a desenvolver algum quadro desse tipo, teoricamente como forma de preparação natural da criança para um ambiente ameaçador.

Além disso, temos, entre outras causas, a exposição incessante ao estresse da vida moderna, o uso excessivo de certas substâncias muito comuns na cultura popular, tais como cafeína, álcool e tabaco, e até mesmo a vigência de outras condições médicas que acarretam na hiperatividade do sistema nervoso central, como é o caso de algumas doenças cardiovasculares e do hipertireoidismo.

Como tratá-los?

Na maioria desses quadros utilizam-se medicamentos antidepressivos ou betabloqueadores prescritos por médicos psiquiatras, com exceção das fobias específicas para as quais não existe qualquer tipo de tratamento farmacológico.

Além disso, em todos os casos, a psicoterapia desempenha um papel imprescindível, no qual as abordagens cognitiva e comportamental figuram como as mais cientificamente reconhecidas e eficazes. Esse tipo de intervenção clínica pode se dar de diferentes maneiras, incluindo a participação de acompanhantes terapêuticos, sessões individuais e terapias de grupo – sendo esta última um dos serviços gratuitos oferecidos pela APORTA.


_texto de Gustavo Camps
publicado em 20/06/2017


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